quarta-feira, 28 de abril de 2010

"Certas noites sozinho, ele pensa nela. E certas noites sozinha, ela pensa nele. Certas noites, isso acontece ao mesmo tempo. E Ray e Mirabelle se relacionam sem saber. Mas Mirabelle, sentindo a reciprocidade do seu amor pela primeira vez, afasta-se dele. E enquanto Jeremy oferece ainda mais seu coração, Mirabelle retribui na mesma medida, pois o que ele oferece a ela é terno e verdadeiro.
(...)
- Quero que leve o quadro de mim dormindo. Está na galeria.
- Não precisa fazer isso.
- Quero que seja seu. Eu o fiz quando estávamos juntos. Quero que saiba que lamento o modo como tratei você.
- Eu sei. Eu amei você.

Ao ver Mirabelle se afastar, Ray sentiu uma perda. Como é possível, pensou ele, sofrer por uma mulher que manteve à distância para não sentir falta dela quando fosse embora? Só então percebeu o quanto querer só uma parte dela fez os dois sofrerem. E como não poderia justificar seus atos, exceto por, bem... A vida é assim".


[ Garota da Vitrine ]


Há pouco eu assisti novamente esse filme, com Steve Martin. Esse é seguramente um dos melhores filmes sobre relacionamentos que eu já assisti. O filme todo tem uma curiosa poesia e uma sensibilidade notável. Tem graça, é suave e denso na medida certa, te faz rir com as possibilidades que vão surgindo no meio do caminho e repentinamente você se vê como Mirabelle, uma mulher que tenta amar e ser amada…

sábado, 24 de abril de 2010





"A mãe de Estácio era diferente; possuíra em alto grau a paixão, a ternura, a vontade, uma grande elevação de sentimentos, com seus toques de orgulho, daquele orgulho que é apenas irradiação da consciência. Vinculada a um homem que, sem embargo do afeto que lhe tinha, despendia o coração em amores adventícios e passageiros, teve a força de vontadenecessária para dominar a paixão e encerrar em si mesma todo o ressentimento. As mulheres que são apenas mulheres, choram, arrufam-se ou resignam-se; as que têm alguma coisa mais do que a debilidade feminina, lutam ou recolhem-se à dignidade do silêncio..."


[ Helena - Machado de Assis ]


ps: tive que ler Helena, e quando li essa parte, não sei. Machado de Assis conhece tanto as mulheres!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pride and Prejudice or Love and Creation?


Tenho que admitir, adoro filmes românticos. Acho que herdei isso da minha mãe, que adora ver filmes comigo, mas se só se forem românticos. Então, sim, sou uma garota romântica, adoro os galãs, mesmo que na maioria das vezes prefira o vilão, adoro a cena em que os mocinhos finalmente percebem que se amam e que fariam qualquer coisa pelo outro. O que posso eu fazer? É um vício. Que sei que outras pessoas tem. Mas, entre tantos filmes, tem um que eu já vi milhares de vezes, e ontem terminei de ler o livro. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Confesso que esse é o único caso de adaptações em que prefiro o filme. Mas como boa leitora, não posso ofender o livro. Entendi algumas cenas do filme somente depois de lê-lo. Toda mulher idealiza um homem em sua cabeça, o homem perfeito para ela... e tenho que admitir que o meu homem ideal é um Mr. Darcy, o mocinho do livro/filme. Não vou contar a razão de minha escolha, porque sei que muitas não leram ou viram o filme, o que eu acho uma ofensa ao cinema e aos livros em geral. Mas quero dizer apenas uma coisa: Mr. Darcy é um homem. E é um homem de verdade. O que eu gosto na Jane Austen é porque ela sempre fez personagens de caráter, e não um romance sem graça, mas um romance com defeitos e realidade. O que Mr. Darcy tem? Não sei. Provavelmente seja seu orgulho, talvez seja por suas poucas palavras ( toda vez que ele abre a boca, muda o rumo da história ), talvez o jeito dele falar... não sei. Mas todos nós temos o nosso direito de buscar o Mr. Darcy que desejarmos.


Ou talvez eu só esteja idealizando.